INTRODUÇÃO - UM POUCO DE HISTÓRIA
Röentgen descobriu os raios-X em 1895 e, quase de imediato, foram utilizados para obtenção de imagens médicas do corpo humano, além de outras diversas aplicações, muitas delas inúteis, arriscadas e, por vezes, trágicas. A Medicina foi tomada por uma grande euforia diante da nova área que surgia - era o início da Radiologia.
Nessa fase de descobertas e de desconhecimento dos riscos envolvidos, tentava-se ampliar a utilização dos raios-X. Até meados do século XX, eles eram freqüentemente empregados para epilação da face (hirsutismo). Röentgen em 1906Primeira radiografia em 1895 u Um anúncio de 1896, na figura anterior, mostra como os raios-X foram recebidos na época. Numa tradução livre quer dizer: Antes de deixar a exposição “veja” os maravilhosos raios-X, a maior descoberta científica do século. Com a ajuda da Nova Luz você pode ver “através de uma chapa de metal”, “através de um bloco de madeira” e também “contar as moedas dentro da sua carteira”. Entrada 3 pennies. Aberto o dia todo. Tiram-se fotografias de raios-X.
Outra indicação terapêutica da época era o tratamento de tinha capitis (micose no couro cabeludo), introduzida em Paris em 1904.
A descoberta da droga griseofulvina, em 1958, fez com que a técnica caísse em desuso. Entretanto, estima-se que, entre 1904 e 1959, cerca de 300.000 crianças tenham sido tratadas da tinha capitis com raios-X em todo o mundo. O acompanhamento de 2043 pacientes tratados na infância mostrou uma incidência maior de câncer do que no grupo de controle. A incidência de carcinoma basocelular no couro cabeludo em idosos leva o dermatologista a investigar se houve tratamento prévio. Os primeiros equipamentos de radiografia não contavam com qualquer tipo de blindagem ou filtragem de raios-X. Naquela época, as conseqüências da exposição excessiva aos raios-X ainda eram obscuras.
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